Esse é o texto final desta série, embora eu saiba que ainda escreverei bastante sobre esse tema, onde comecei falando sobre ser vulnerável com Deus, depois sobre ser vulnerável com pessoas específicas e terminarei falando sobre o nosso posicionamento perante a vulnerabilidade dos outros.

Um dia eu estava lendo a passagem de Marcos 10 e Deus me levou a enxergá-lo de uma maneira nova, nessa época estava em um momento onde tudo em mim era desesperado pelo real e pela integridade de meus sentimentos (especificamente), foi um tempo de muita desconstrução daquilo o que eu julgava ser belo, aprendi que o meu quebrado tem um grande poder quando colocado nas mãos certas e assim refletido em tudo e para todos, mas como eu tenho visto o “feio” e “quebrado” do outro? Às vezes (para não dizer “sempre”)  a forma que julgamos o outro é a mesma forma que achamos que nos julgarão e por isso preferimos abraçar essa falsa perfeição, afinal, acabamos exigindo o mesmo do outro.

“E depois, foram para Jericó. E, saindo ele de Jericó com seus discípulos e uma grande multidão, Bartimeu, o cego, filho de Timeu, estava assentado junto do caminho, mendigando. E, ouvindo que era Jesus de Nazaré, começou a clamar, e a dizer: Jesus, filho de Davi, tem misericórdia de mim. E muitos o repreendiam, para que se calasse; mas ele clamava cada vez mais: Filho de Davi! tem misericórdia de mim. E Jesus, parando, disse que o chamassem; e chamaram o cego, dizendo-lhe: Tem bom ânimo; levanta-te, que ele te chama. E ele, lançando de si a sua capa, levantou-se, e foi ter com Jesus. E Jesus, falando, disse-lhe: Que queres que te faça? E o cego lhe disse: Mestre, que eu tenha vista. E Jesus lhe disse: Vai, a tua fé te salvou. E logo viu, e seguiu a Jesus pelo caminho.” Marcos 10:46-52 

(Eu sei, o texto é claro ao nos dizer que tudo isso era físico, mas o Espírito Santo me levou a enxergar esse texto como se a cegueira do cego Bartimeu fosse algo do nosso interior como medos, dúvidas, processos dolorosos e por aí vai). 

“…E, ouvindo que era Jesus de Nazaré, começou a clamar, e a dizer: Jesus, filho de Davi, tem misericórdia de mim. E muitos o repreendiam, para que se calasse..”, talvez eu venha a ser bem direta agora, mas precisamos falar sobre o nosso posicionamento corrupto perante os outros, quantas vezes vimos e/ou ouvimos alguém sendo vulnerável, passando por uma fase mais complicada e pensamos, mesmo que rapidamente, “nossa, mas ela(e) tem o coração tão ofendido”, “ainda? algumas pessoas precisam amadurecer”, “sinceramente, já passou da hora de saber quem é, tantos anos de conversão e ainda passa por momentos confusos dessa forma”, “também… essa pessoa se isola”, “já passou tanto tempo, não está na hora de superar?”, poderia escrever muito mais, mas são algumas das coisas que já ouvi sobre mim, sobre outros e já pensei também, sendo bem sincera com vocês. 

Basta nos ouvirmos para entender o porquê colocamos tantas barreiras para sermos vulneráveis e reais com as pessoas, nós mesmos colocamos esse peso de “maduro”, “seguro”, “sem medos e sem problemas”, ou, até mesmo, colocamos o peso de “esse processo deve durar tanto tempo, passando disso já é o suficiente para tratar com diferença” nas pessoas que convivem conosco, em líderes, em pessoas que são expostas, exigimos algo que é inatingível e irreal para o ser humano. Precisamos amadurecer em amor. 

É muito fácil ter dons, obras, ter lido a Bíblia várias vezes e ainda sim não amar como Ele ama, nós nos enganamos ao pensar que as pessoas precisam seguir um padrão em absolutamente tudo, inclusive em como elas precisam passar por determinadas situações e como deve senti-las, a verdade é que somos bons em falar sobre ser real, mas a excursão não é como a fala (para lembrar: empatia é a capacidade psicológica para sentir o que sentiria uma outra pessoa caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela. Consiste em tentar compreender sentimentos e emoções, procurando experimentar de forma objetiva e racional o que sente outro indivíduo). 

Quantas vezes somos como o povo que ouvia o cego Bartimeu gritar por misericórdia e respondia para ele se calar? Precisamos entender que o nosso papel ao ouvir as dificuldades, dores e problemas de alguém é de conectar essa pessoa a Jesus e não dificultar o seu caminho a Ele. O nosso maior exemplo em tudo é Jesus, mas por que na primeira oportunidade que temos de ser como Ele, amar sem julgamentos e barreiras, trazendo leveza e descanso – afinal, é o que provamos Dele diariamente -, nós somos como o povo que não suporta ouvir o grito daquele que está ferido? 

COMPARTILHAR

COMENTÁRIOS




Isabella Quagliarelli
Eu sou a Isabella Quagliarelli Lachaitis, mas todos me chamam de Bella. Tenho 20 anos, sou missionária, com chamado focado na Europa, e artista plástica. Apaixonada por escrita e por Deus, encontrando aqui, um cantinho para transbordar o meu coração e o que tenho ouvido Dele em palavras.