Não fiquem bravos comigo, mas sempre que leio ou ouço a  expressão “relacionamento sério” me vem  à mente a ideia de uma relação cheia de formalidades, algo do tipo “sim, senhor meu marido” ou “vá se  lavar que hoje eu vou lhe usar” (risos).

É que meu conceito de relacionamento sério é diferente, acredito.

Para mim, amor gostoso é cheio de leveza e improviso. Se algo precisa ser sério nesse contexto  é a vontade de ser e fazer o outro feliz. E, não nos iludamos acreditando que  um status nas redes sociais seja capaz de “blindar” o relacionamento entre duas pessoas.

O que blinda um vínculo dessa natureza é o amor recíproco, é a ausência de dúvidas e a certeza do querer sem reservas.

Amor gostoso é quando não precisamos nos explicar socialmente, é quando o acordo fica estabelecido entre os dois corações e isso basta. Um amor delicioso tem a ver com aquela  viagem de carro com direito à parada num fim de uma  tarde morna, numa cidadezinha qualquer desse Brasil, para assistir ao pôr do sol, enquanto observam-se os cachorros deitados curtindo preguiça embaixo de um pé de flamboyant, que faz sombra  frente à vendinha que tem  aquelas iguarias gostosas.

O amor que compensa é cúmplice, desses que um não cobra ou sugere nada que possa causar desconforto ao outro. Amor marcante tem aquela sensação inacreditável de olhar para a pessoa e a boca esboçar aquele riso indecifrável e um olhar que traduz: “não acredito que estou vivendo isso com essa pessoa”. Um amor memorável faz você se esforçar para manter-se acordado mais um pouquinho no meio da noite para ouvir a respiração do outro que dorme ao lado. Amor bom tem um abraço com cheiro de roupa limpa e seca ao sol.
O amor, quanto mais sutil, mais marcante ele se torna, é amor feito de detalhes, de delicadezas e, ao mesmo tempo, de profundidade. Um amor para recordar tem textura de lençóis de cetim e também de areia do mar. Amor inesquecível é aquele que causa frio na barriga quando vem à memória ainda que depois de décadas.
Amor especial é aquele que nos tira do prumo, desalinha os nossos passos e nos coloca diante de sensações e sentimentos que sequer imaginávamos possíveis. Amor que dá sentido à nossa existência é aquele que nos resgata, que nos apresenta ou nos devolve uma euforia, chega a nos assustar, e pouco importa se vai durar uma semana ou uma vida, as digitais ficarão em nós.
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Ivonete Rosa
Escrevo por qualquer motivo: euforia, tédio, nostalgia, amor etc. Eu encontro na escrita uma forma de organizar minhas emoções. Ao contrário da maioria das mulheres, não sou muito falante. Contudo, me considero uma ouvinte atenciosa e interessada (é o que me dizem). Sou estudante de Psicologia por vocação, Bombeira Militar por ofício e Escritora por paixão…visceral.