Da janela eu observava seus pés indo em direção à rua principal. Ele tinha acabado de sair da minha casa. Seus pés tão decididos o levavam aonde ele queria ir. O que eu poderia fazer?
Ele veio até minha casa às 14h da tarde de um cinzento dia de agosto. Ele havia dito que era o fim. Que escolha eu tinha?

Eu poderia ter me jogado no chão e ter pedido por mais uma chance. Eu poderia ter chorado como uma criança quando perde seu brinquedo favorito. Mas, honestamente, de que isso valeria?

Ele fez as malas dentro do meu coração e foi embora. Partiu sem olhar pra trás. Partiu rumo ao desconhecido. Eu teria como pará-lo? Meu coração já não era suficiente para ser o lar daquele garoto. Ele queria conhecer outros corações. Como poderia prendê-lo?

Em um mapa do tesouro, ele havia achado meu coração. Eu, porém, nunca havia encontrado o dele. Deveria ter o forçado a encontrá-lo? Chorei ao ver sua partida. Chorei por saber que o término havia chegado, quando na verdade, pra mim, mal havia começado.
Meu coração apertado já sentia sua ausência, mesmo ele tendo acabado de sair de lá. Meus abraços se tornaram vazios porque ele não estava mais dentro deles. Mas eu aprendi, há muito tempo atrás, que há um tempo certo pra todas as coisas. E eu entendi que era tempo de deixar. De deixar ir embora.

Autora: Ana Paula Garcia.

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