Recolher todo o amor e afeto anteriormente destinado a alguém, e redirecioná-lo para outros fins, é uma tarefa que exige não somente força de vontade, mas também determinação e desenvolvimento de habilidades mais elaboradas, como atenção e concentração, para não distrair-se facilmente e cair na armadilha do “e se”.

Dar braçadas nesta direção requer renúncia, isto é, abrir mão de algo que parecia certo, pelo vazio do não saber. Não saber como sobreviverá aos dias sem os antigos sonhos. Não saber como preencherá as horas. Não saber com o que ocupará seus pensamentos. Não saber em qual direção seguir, uma vez que se é o próprio labirinto, em que todos os caminhos levam a lugar algum.

Em momentos delicados como estes, pare, observe, analise. Dê-se um tempo. Pondere o imponderavelmente. Reconcilie-se consigo mesmo. Aprecie o vento, a lua, o sol. Perceba que você é parte da natureza, e que para ela iniciar novos ciclos, necessita encerrar outros. Observe o esforço da pequena formiga, que trabalha incansavelmente. Considere sua perseverança.

A vida é mesmo complicada, subitamente furta nossas cordas de sustentação e nos deixa a mercê de seus caprichos, ao reverso. Às vezes temos que seguir em frente, ainda que machucados ou feridos, e por vezes, dá mesmo vontade de desistir. Há dias que bate o desânimo, e este vem acompanhado de infinitas justificativas lógicas, munido de todos os porquês para nosso lamento, nossa dor, nosso pesar, ou seja lá o que for que nos entristece.

Lutar contra estes sentimentos é como reaprender a viver sem usar o retrovisor, porque com frequência somos tentados a acreditar que éramos felizes e não sabíamos, mas nem sempre nossas memórias são muito confiáveis, as vezes é apenas ilusão de ótica.

Entretanto, negar sua dor não ajudará a amenizá-la, muito menos a eliminará mais rápido. Quando nos permitimos sentir nossas tristezas, abrimos espaço para o aprendizado. Nas frustrações e derrotas, aprendemos em um dia, lições que levaríamos uma vida inteira para aprender vivendo uma vida colecionando vitórias, e isto não é apologia à derrota, é apenas um fato. O fracasso o coloca frente à frente consigo mesmo, e exige de você coragem para olhar dentro de si em busca do que o mantém de pé todos os dias, de suas motivações, suas crenças, seus valores. O faz perceber que nunca é tarde demais para recomeçar, que o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã.

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Eva Woff
Estudante de psicologia, é o tipo de mulher livre e independente. Engraçada, companheira, alegre, extrovertida e brincalhona. Sabe ver as pequenas coisas da vida e fazer delas grandes e encantadoras. Tem sempre uma palavra de amor pra dar. Ama observar e aprender. Escrever é um dom que ela descobriu em si e procura aperfeiçoá-lo cada vez mais.