Percebo que o verbo desistir costuma ser mal interpretado no cotidiano. Isso porque, ele sugere uma ideia de fraqueza e fracasso ao sujeito que o conjuga.

Seria o sentido oposto de vencer ou persistir. Precisamos de muita cautela e empatia ao ouvirmos um indivíduo falar de suas desistências. Pode ser que aquela desistência tenha sido o divisor de águas para aquela vida, um verdadeiro ato de heroísmo.

Nem sempre, quem desistiu fracassou. Por trás de muitas desistências há muito de altruísmo, tentativa de resgatar-se e, principalmente, um desejo autêntico por uma chance de fazer diferente.

A jovem mulher, que desistiu de uma carreira profissional para se dedicar ao casamento e aos filhos, não pode ser vista como uma fracassada e sim como uma pessoa altamente altruísta, capaz de anular alguns de seus sonhos para dar o que tem de melhor à sua família.

Desistir, de algo ou de alguém, nunca foi fácil e nunca será algo fácil. Por mais aversivo que seja o contexto, o indivíduo se percebe preso ali, como uma aranha na teia.

Recomeçar é assombroso porque, muitas vezes, estamos vulneráveis, sozinhos, sem apoio e socialmente apedrejados.

Somente os fortes conseguem desistir daquilo que os prejudica. Desistir das drogas; dos abusos alimentares; da preguiça de se exercitar. Desistir de se esconder à sombra de alguém e mostrar sua própria personalidade, enfim, são tantas desistências heroicas, não é?

As desistências nos salvam todos os dias, assim como as nossas escolhas. E é encantador perceber que, enquanto estamos vivos, podemos nos perder e nos encontrar nesse emaranhado de possibilidades. E assim, vamos bordando as nossas histórias, sem jamais desistir de acreditar que somos capazes de encontrar motivos para sorrir com autenticidade.

Não sinta vergonha de ter desistido de algo ou alguém que te fazia infeliz.

Autora: Ivonete Rosa

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